Medida visa proteger a população caso a greve dos policiais civis e militares seja deflagrada
A partir de hoje, 10, a Guarda Municipal de Nova Friburgo estará mais presente nas ruas com seu efetivo de 25 homens em nove viaturas da Ronda Tática Motorizada (Rotam). A medida visa reforçar a segurança da população caso a greve dos policiais civis e militares, bombeiros e agentes penitenciários seja mesmo desencadeada. As categorias definiriam pela aprovação ou não do movimento na noite de ontem, 9, em assembleia no Rio de Janeiro. Até o fechamento desta edição a paralisação ainda não havia sido confirmada.
“A implantação da Rotam em Nova Friburgo, inclusive, foi antecipada para ter início hoje devido à possibilidade da greve dos policiais civis e militares acontecer mesmo. Independente da greve os guardas municipais estarão nas ruas ajudando no suporte da segurança dos friburguenses e visitantes”, disse o coordenador da Guarda Municipal, André Luis dos Santos, durante reunião com demais representantes dos órgãos de segurança locais, no quartel do 11º BPM. No encontro foi discutida a segurança no carnaval, cuja programação oficial tem início hoje, com eventos na Praça Dermeval Barbosa Moreira.
O encontro, proposto pelo secretário municipal de Ordem Urbana, coronel Hudson de Aguiar Miranda, reuniu, além do comandante do 11º BPM, tenente-coronel Marcelo Freiman, e André Santos, da Guarda Municipal, o delegado da 151ª DP, Flávio Narcizo, os representantes da Autarquia Municipal de Trânsito (Autran), Carlos Alberto Bayer, e do Corpo de Bombeiros, tenente Glaucius, o subsecretário de Defesa Civil, Robson Teixeira, a secretária municipal de Turismo, Bianca Tempone, e a subsecretária de Comunicação Social da Prefeitura, Janaína Saade.
Na reunião foi ventilada a possibilidade até mesmo de cancelamento de alguns eventos do carnaval em Nova Friburgo caso ocorra a greve dos policiais. O comandante da PM alertou para a necessidade de os órgãos da Prefeitura serem rigorosos na proibição de vendas de bebidas alcoólicas por ambulantes nos espaços públicos onde ocorrerão bailes populares. O tenente-coronel Marcelo Freiman também destacou a importância dos shows serem encerrados no início das madrugadas, cumprindo-se os horários pré-estabelecidos. A intenção do policial é evitar circunstâncias favoráveis para brigas devido ao consumo excessivo de álcool, facilitando também a dispersão do público e o trabalho da PM.
O “nada a opor” da corporação militar para a realização dos eventos carnavalescos, contudo, só deverá ser expedido após a Defesa Civil emitir laudo com aprovação das estruturas a serem montadas para os desfiles na Avenida Alberto Braune, palcos para a realização de bailes e barracas para comercialização de salgados e bebidas. A licitação para contratação das empresas que montarão as estruturas do carnaval só será realizada às vésperas da festa.
Nesta segunda-feira, 13, os representantes dos órgãos de segurança voltarão a se reunir, desta vez com o prefeito Sérgio Xavier, para definir a atuação de cada um durante o carnaval. O encontro será no auditório do Centro Administrativo da Prefeitura (antigo prédio da Oi/Telemar), na Avenida Alberto Braune.
Motivos da articulação da greve dos policiais e bombeiros no Estado do Rio
Os policiais civis e militares do Estado deflagraram o movimento pró-greve em protesto aos baixos salários. De acordo com o Sindicato dos Policiais Civis do Rio de Janeiro (Sindpol), o piso base da categoria no Estado é de R$ 1.530, contra R$ 2.230 em São Paulo, R$ 2.041 em Minas Gerais e R$ 7.514 em Brasília. O ranking, ainda segundo o sindicato, deixa os policiais civis fluminenses na 27ª e última posição salarial no Brasil. Já entre os policiais militares, o piso base para início de carreira seria de R$ 1,2 mil em média, segundo os próprios policiais.
Com o estopim da greve dos policiais na Bahia, que desencadeou insegurança e inúmeros incidentes naquele Estado, principalmente na capital Salvador, a articulação da greve no Rio de Janeiro ganhou força e fez a Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) propor mais de 70 emendas ao projeto de lei que prevê reajuste de 33,81%, escalonados em parcelas, no biênio 2012-2013.
O governador Sérgio Cabral anunciou também a concessão de auxílio-transporte de R$ 100 para os policiais civis e militares, bombeiros e agentes penitenciários, mais a garantia de manutenção das gratificações caso os policiais sejam afastados temporariamente por licenças médicas motivadas por acidentes de trabalho, além da criação do banco de horas extras. De acordo com o governador, o aumento injetará R$ 350 milhões na folha de pagamento dos policiais em 2013.
O movimento foi articulado justamente para forçar o Estado à negociação, com vistas ao não comprometimento do carnaval e da imagem do Estado em nível internacional. Ontem, 9, a mobilização foi abalada com a prisão de um cabo bombeiro suspeito de participar de “acertos” para favorecer a greve no Rio. A negociação, inclusive, fora comprovada por escutas telefônicas realizadas com autorização da Justiça e veiculadas por uma emissora de TV.
Em Nova Friburgo policiais civis e militares abordados pela reportagem de A VOZ DA SERRA revelaram que se a greve tiver sido deflagrada na assembleia geral no Rio de Janeiro cumprirão as escalas de plantões sem se ausentarem de suas bases, comprometendo, assim, o policiamento ostensivo. Já os bombeiros prometem manter 30% do efetivo trabalhando normalmente para atender ocorrências de resgates e salvamentos.
