terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Na chegada do ano novo, Nova Friburgo em alerta

2012 começa com chuvas ininterruptas, trazendo à tona velhos e novos problemas


O verão mal começou e as chuvas já castigam a serra fluminense. A Defesa Civil Estadual, junto à Defesa Civil de Nova Friburgo, o Departamento de Recursos Minerais (DRM), o Corpo de Bombeiros e a Cruz Vermelha trabalham juntos para tentar prevenir uma nova tragédia. Uma sala para controle meteorológico já foi montada na antiga Rodoviária Leopoldina, na Avenida Alberto Braune 223, para monitorar o clima por toda a Região Serrana e funcionar em momentos de crise.
O município já conta com o reforço de 30 bombeiros do Estado, que foram deslocados para atuar como apoio. Eles estão trabalhando em conjunto com o tenente-coronel João Paulo Mori, secretário municipal de Defesa Civil, o comandante do 6º Grupamento de Bombeiro Militar, coronel Emanuel Palência, e o coordenador da Cruz Vermelha local, Luiz Cláudio Rosa.
Os órgãos oficiais afirmam que estão trabalhando em sistema de prevenção de tragédias. De acordo com o subsecretário da Defesa Civil de Nova Friburgo, Robson Teixeira, houve deslizamentos, mas não houve fatalidades. “Temos barreiras caídas, algumas pessoas ilhadas, mas não desabou nenhuma casa e ninguém morreu. Estamos trabalhando com máquinas da Defesa Civil do Estado para desbloquear as pistas e a maior parte dos pontos de apoio já está aberta”, declarou.
Ao todo, 14 das 35 sirenes soaram durante o dia em áreas de risco. Os bairros onde foram acionadas foram Vilage, Três Irmãos, Floresta, Córrego Dantas, Duas Pedras, Olaria, Jardinlândia, Jardim Califórnia 1 e 2, Conselheiro Paulino, Floresta, Rui Sanglard, Lazaretto e Ouro Preto. Muitos moradores já saíram de suas casas e estão nos pontos de apoio, sendo que alguns já retornaram às residências com a diminuição da chuva. De acordo com o Corpo de Bombeiros, houve queda de árvores e pequenos deslizamentos sem vítimas.
A Estrada Serramar, RJ-142, está funcionando em meia-pista, em dois pontos, por causa de queda de barreiras, de acordo com a Defesa Civil de Nova Friburgo. Um dos pontos é próximo a Casimiro de Abreu e o outro não foi informado. Já na RJ-116 (Itaboraí–Nova Friburgo–Macuco), a queda de uma árvore interrompeu o tráfego na altura do quilômetro 43. Operários da concessionária Rota 116 retiraram a árvore e os motoristas tiveram que aguardar a liberação do trânsito.
A Cruz Vermelha está montando pontos de apoio junto aos órgãos oficiais para prevenir catástrofes. Quem quiser se voluntariar pode se cadastrar na Praça Getúlio Vargas 92, no primeiro andar. As doações podem ser endereçadas ao mesmo local. No momento, a Cruz Vermelha pede doações de lanches para os voluntários e biscoitos, macarrão instantâneo, leite em pó, fraldas, colchões, material de higiene, travesseiros, roupas de cama e banho, café, água mineral e brinquedos, para serem levados aos desalojados.

Após sirenes, populares deixam suas residências

Apesar das chuvas que atingiram Nova Friburgo na noite de 31 de dezembro e no dia 1º de janeiro, não haviam sido registradas ocorrências graves na cidade até o fechamento desta edição. Os locais mais atingidos em janeiro do ano passado, como Córrego Dantas, Conselheiro Paulino, Duas Pedras, Floresta e Jardim Califórnia, tiveram pontos de alagamentos e alguns deslizamentos de pequeno porte. Além disso, não tiveram prédios interditados.
O secretário da Defesa Civil, tenente-coronel João Paulo Mori, informou às 9h desta segunda, 2, que a cidade continua em estágio de alerta devido às chuvas contínuas. O volume de chuvas ocasionou o desmoronamento de um muro na rua da Uerj, no bairro Vila Nova, porém, a Defesa Civil, em parceria com o Corpo de Bombeiros, esteve no local e a área encontra-se fora de risco.
Na Vila Amélia, uma galeria que cedeu em janeiro passado e que não foi consertada transbordou com as chuvas e as travessas José Lopes Filho e José Bolorini, atrás da delegacia, ficaram cheias de lama. Na Lagoinha, a passagem ficou dificultada pelo aumento do nível do córrego. Em Olaria, o rio também transbordou na Rua Maria d’Ângelo Magliano.
O acesso à Granja Spinelli já está impedido para os carros e só é possível chegar à localidade a pé. Na RJ-130, que liga Nova Friburgo a Teresópolis, o trânsito é lento devido à quantidade de água e lama na pista. A Rua General Osório ficou alagada na noite do dia 1º e ainda na manhã de ontem se encontrava em situação complicada. No Suspiro, um dos principais pontos turísticos da cidade, muita lama desceu do Teleférico e se acumulou na rua, impedindo o estacionamento dos carros.
Em Conselheiro Paulino, o Rio Bengalas chegou a um nível crítico e alguns pontos do distrito foram alagados. Em Riograndina a água do rio atingiu a Escola Municipal Estação Rio Grande e ruas próximas, preocupando os moradores. Duas Pedras não registrou problemas graves, apenas uma grande quantidade de lama que descia a RJ-130 e atrapalhou o tráfego de veículos. No entanto, funcionários da Prefeitura trabalharam durante toda a manhã de ontem para desobstruir a via.
No Córrego Dantas, diversas ruas ficaram alagadas e a lama entrou em diversos imóveis. A Cruz Vermelha já abriu um ponto de apoio no bairro, levando mantimentos, roupas de cama e leite em pó. Um profissional de saúde também foi alocado para prestar atendimento médico. A Defesa Civil informou também que, conforme as sirenes foram acionadas, a população dos bairros saiu voluntariamente de suas casas, facilitando o trabalho do órgão.

Região Serrana em estágio de alerta

Outros municípios da Região Serrana também estão em alerta e continuam a sofrer com as chuvas de verão. Segundo o major Alexandre Pitaluga, da Defesa Civil Estadual, o Rio Santo Antônio, de Cordeiro, transbordou, assim como Rio Negro, em Cantagalo, deixando as comunidades de São José e Triângulo em risco. Na RJ-116, na altura do quilômetro 124, um desnível na pista obrigou o trânsito a funcionar em meia-pista.
Em Bom Jardim, o aumento do nível do rio deixou São Miguel e Banquete em estado de atenção. A Prefeitura daquele município decidiu suspender o tráfego de caminhões pela estrada municipal de Barra de Santa Teresa por medida de segurança. A medida ficará em vigor até que as chuvas que caem na região diminuam.


O nível do rio subiu e deixou o Córrego Dantas em alerta


Apesar da chuva constante, não houve mortes