sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Fórum de Segurança pergunta: Estamos preparados para as chuvas? Defesa Civil diz que sim

Nova Friburgo está em alerta geral por conta dos efeitos ainda bem marcantes por todo o município da tragédia de 12 de janeiro. Tanto é que a preparação para enfrentar mais uma temporada de chuvas fortes com a proximidade do verão é o assunto do momento. O 6º Fórum de Segurança promovido quarta-feira, 30 de novembro, à noite, pelo Conselho de Segurança (Conseg) no auditório do Senai, mostrou bem isso. O espaço ficou superlotado durante pelo menos quatro horas de debates sobre a pergunta que mais aflige a quem vive aqui: estamos preparados? 
O Fórum, que esse ano abriu mão do seu foco principal—a discussão sobre o combate à criminalidade e às drogas—para abordar o que fazer ante as inúmeras consequências de uma das maiores catástrofes climáticas da história, contou ainda com um ciclo de palestras que destacou o motivo de tanta chuva na Região Serrana em tão pouco tempo: como as autoridades estão se mobilizando para reagir ao próximo verão e ainda, como conviver com o estresse emocional comum a uma situação de expectativa e medo como essa, com a população se perguntando “o que poderá acontecer”...
Para o presidente do Conseg, o advogado Rodrigo Guimarães, o Fórum serviu como um agente de conscientização dos friburguenses e também dos representantes do poder público quanto à necessidade de se mudar hábitos e conceitos, difundindo-se ações efetivas para combater os efeitos negativos das tempestades no cotidiano. Em palestra de abertura do Fórum de Segurança, a geógrafa Ana Luíza Coelho Netto e o biólogo Anderson Mullulo Sato, ambos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apresentaram um resumo do trabalho de pesquisa sobre a tragédia das chuvas na serra desenvolvido pelo Laboratório de Geohidrologia, Geomorfologia, Hidrologia e Geoecologia, o Instituto de Geociências e o Departamento de Geografia da universidade, que tentou explicar o porquê de tanta chuva concentrada sobre a região durante nove horas seguidas, entre os dias 11 e 12 de janeiro, com precipitações que chegaram a 228 milímetros num só lugar, como o bairro Córrego Dantas. 
De acordo com Sato, houve uma imensa concentração de chuva sobre o município intensificada pelo fenômeno climático denominado “zona de convergência do atlântico sul” que suga a umidade da Amazônia para o Sudeste do país e confrontou-se com frentes frias. “Todo mundo hoje se pergunta: Vai acontecer de novo? Pode sim, mas não sabemos quando. Não há sustentação científica alguma para afirmar que outra chuva dessas só acontecerá daqui a 500 anos, como tem sido especulado. As condições climáticas estão mudando”, enfatizou o biólogo, ressaltando a necessidade de prevenção das encostas e desocupação das áreas de risco, visto que, das centenas de deslizamentos que ocorreram em janeiro, 140 deles devastaram áreas superiores a 20 mil metros quadrados. 
A geógrafa Ana Luíza Coelho Netto destacou que, além do grande volume de chuva, a combinação ocupação irregular/encostas com solo e florestas degradadas contribuiu para os volumosos escorregamentos que carrearam pedras e muito sedimento para os rios que, obviamente, transbordaram. E ela alertou: a incidência de mais enchentes no próximo verão é iminente, pois a caixa dos rios está muito assoreada com resíduos de janeiro. Ana Luíza ponderou que Olaria e seu entorno também recebeu grande volume de chuva (193 milímetros na madrugada de 12 de janeiro), mas os deslizamentos lá foram menores devido ao relevo menos acidentado e o tipo de solo com florestas mais densas. 
“As chuvas maiores geralmente são à noite e a população precisa saber para onde ir com segurança quando houver os alertas. O desmatamento é outro vilão das tragédias das chuvas. Árvores mais antigas com raízes profundas ajudam a segurar o solo. Por isso, vale mais a pena reflorestar áreas de mata mais antiga que florestas espessas. É aquela máxima: é mais fácil tratar um resfriado do que uma pneumonia”, frisou a geógrafa que alertou as autoridades quanto à necessidade de frear a ocupação em áreas de risco e elaborar-se estudos sobre as áreas seguras de expansão habitacional. “As enormes encostas com blocos rochosos sofreram fraturas que permitem agora maior infiltração de água das chuvas facilitando o deslizamento de pedras em direção ao fundo dos vales e aos rios. A lição que tiramos disso tudo é que temos que prevenir e proteger a população. O que aconteceu em Nova Friburgo pode ser esperado para qualquer verão”, sustentou Ana Luíza.